poesia
Por: Evan do Carmo
O objetivo de todo poeta é mostrar o seu mundo, e o que eu encontrei em O Cadafalso foi certa inquietação do autor, Evan do Carmo, diante da vida e da morte, do seu estar no mundo, de suas angústias e sentimentos. Aliás, inquietações inevitáveis a qualquer ser humano. Também foi possível enxergar que o trágico perpassa toda a obra: a morte é inevitável; a dor, a tristeza e a angústia podem se sobressair. Creio que por isso o título O Cadafalso.
Sem dúvida, um belo livro, com versos simples, porém autênticos e repletos de significados que, presentes na superfície do texto, nele, não se esgotam: há algo além da palavra escrita. Isso acontece porque, quem sabe, você (Evan do Carmo) caminha no terreno da filosofia, e, caminhando, tem a intenção de estimular a consciência, o pensamento e alimentar sempre uma posição questionadora ao leitor ─ assim foi a mim.
Também encontrei em O Cadafalso versos impressionantes, já que entre mim e os versos estabeleceu-se uma experiência, modificando a minha existência e a dos versos. Isso não seria possível se não fosse a sua experiência de jornalista e de poeta: como jornalista coloca o leitor na matéria; como poeta, o leitor dentro do texto.
No poema “A morte floresce” algumas das principais características de sua poesia são evidenciadas. Não sei dizer se o poema é triste ou alegre, crente ou cético, romântico ou realista – na verdade: é tudo isso ao mesmo tempo. A natureza múltipla, conforme as inquietações do tempo e os anseios do homem retratam o diálogo entre dia e noite, vida e morte. Poesia romântica, no tema central, exalta a eternidade das coisas, pois, explorada perto da tristeza, a morte habita alguém contente. Poesia romântica, quanto à temática, o que o aproxima de alguns poetas importantes, como: Fagundes Varela, Álvares de Azevedo e Castro Alves. Quando nos deparamos com o tema da morte, tema universal, filosoficamente, toda a abordagem pode ser feita.
Curioso, para ser mais clara, é que há duas características comuns em o Fel o mel e em O Cadafalso: 1) Traços da estética simbolista, uma vez que você apenas sugere a realidade, sem retratá-la. 2) Presente momentâneo, talvez porque o futuro não seja suscetível à compreensão do mundo, a controles.
A meu ver, o acréscimo de imagens em O Cadafalso é desnecessário, uma vez que os versos souberam dizer por si só e aquilo que, como leitora, preciso.
O Cadafalso: livro fora do comum, notório, marcante, que mexeu com meus pensamentos e me fez pensar e questionar meu estar no mundo. Li e indico.
Parabéns, Evan do Carmo.
Rosemary Chaia Rodrigues Escritora
Livros com menos de 70 páginas são grampeados; livros com 70 ou mais páginas tem lombada quadrada; livros com 80 ou mais páginas tem texto na lombada.
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