Por: OSCAR KELLNER NETO
ACERCA DA OBRA FICCIONAL DE OSCAR KELLNER NETO
Maria de Lourdes Hortas
A experiência de criação, segundo os mais atualizados estudiosos da obra de arte, pressupõe uma relação triádica, ou seja, uma relação que envolve o artista, a obra criada e o público. Assim, a criação só se torna completa quando alcança o outro, ou seja, o receptor.
Este pensamento não é tradicional. Ao longo dos tempos, a obra de arte - fosse ela pintura, música ou literatura – concretizava-se no objeto da criação. Mas, de uns tempos para cá, percebeu-se que a arte é uma experiência estética que ultrapassa o objeto criado pelo artista. Tal percepção exige do criador a expansão de campos e categorias, bem como a preocupação de investigação e pesquisa.
Oscar kellner Neto é um bom exemplo de artista contemporâneo. Ficcionista, poeta e artista plástico, vem desenvolvendo a sua obra, conduzindo-a confortavelmente pelos vértices escolhidos, ampliando, assim, o significado de cada uma das suas vertentes.
Como resultado, e no caso da literatura, por exemplo, cada vez menos lhe importam as classificações de gêneros. Ao debruçar-se sobre o seu processo de criação, jamais se preocupa em enquadrar a sua obra, rotulando-a, a priori, de conto, novela, ou romance. O que o autor deseja, é aquilo que a sua produção causará na relação triádica acima referida.
Tudo isto me ocorre ao concluir a leitura do seu livro Fazenda Interior.
Diante da riqueza de conteúdo e do valor formal da referida narrativa, concluo que a mesma exemplifica bem o caso da relação triádica que acima referi.
Escrita com arrojo e sentimento, a fábula desta narrativa, embora tenha como suporte a recriação das suas lembranças de infância, transcende e transfigura a realidade. Utilizando recursos que vão muito além da linearidade das memórias, o autor lança mão de imagens poéticas, que pictorizam os espaços, ultrapassando o plano concreto e atingindo plataformas de surrealismo.
Desencadeando as suas estórias num ritmo singular, que nos alicia e prende, Oscar Kelnner Neto atinge o diapasão só alcançado pelos grandes mestres da narrativa universal. Paralelamente, agrega à sua escrita o resgate de palavras que o tempo poderia soterrar no esquecimento, acrescentando a estas páginas antológicas um valor irrefutável, pelos elementos sócio-documentais e antropológicos que a permeiam...
Livros com menos de 70 páginas são grampeados; livros com 70 ou mais páginas tem lombada quadrada; livros com 80 ou mais páginas tem texto na lombada.
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